Manejo da anafilaxia em pacientes pediátricos: uma revisão sistemática de ensaios clínicos

Authors

  • Natan Augusto de Almeida Santana
  • Alexandre Augusto de Andrade Santana
  • Jacqueline Moraes Gomes
  • Isabela Zulian de Sousa
  • Júlia Jardim Ferreira
  • Yuri Borges Bitu de Freitas
  • Bernardo Malheiros Tessari
  • Isabela de Paula Sá

DOI:

https://doi.org/10.54022/shsv4n1-013

Keywords:

anafilaxia, imunoterapia, pediatria

Abstract

INTRODUÇÃO: A anafilaxia consiste em uma reação alérgica exacerbada, grave, que acomete vários órgãos e sistemas simultaneamente, sendo classificada como uma reação imunológica, geralmente mediada por IgE. A gravidade nesse quadro consiste em sua capacidade de levar rapidamente a óbito uma pessoa previamente saudável. Nesse contexto, os principais agentes causais da anafilaxia correspondem a medicamentos, alimentos e venenos de insetos e é de suma importância que seja identificado o fator causal da crise para afastar o paciente de possíveis contatos futuros, para isso, a história clínica é essencial. Em uma crise aguda, seu manejo consiste em aplicação intramuscular de adrenalina e manutenção das vias aéreas pérvias, mas, atualmente, alguns métodos foram desenvolvidos para induzir alterações imunológicas no paciente, como a imunoterapia epicutânea e a imunoterapia oral, a fim de fornecer proteção contra sintomas alérgicos e reações inflamatórias, minimizando episódios alérgicos exacerbados. Em relação aos pacientes pediátricos, estudos foram realizados para identificar a dose ideal e a eficácia de tais métodos para essa faixa etária, em busca de diminuir episódios de anafilaxia ao longo da vida. MÉTODO: Trata-se de uma revisão sistemática de ensaios clínicos, na base de dados da PubMed, com os descritores: “management” AND “anaphylaxis” AND “pediatrics”, nos últimos 10 anos. Foram selecionados 7 artigos científicos, com texto completo e gratuito, sendo excluídos artigos que não se enquadram nos objetivos do presente estudo. RESULTADOS: Um estudo em Hong Kong encontrou que 15,6% de crianças com alergia alimentar tiveram anafilaxia, que é traduzido em um risco anafilático alarmante de 700/100.000 da população com menos de 14 anos. Já um que avaliava o efeito da imunoterapia epicutânea vs placebo, que foi realizado em 31 locais em 5 países, observando 36 crianças alérgicas a amendoim (idade de 4 a 11 anos), utilizou-se patch de amendoins e de placebo, constatou que entre 356 participantes randomizados (idade mediana, 7 anos), a taxa de resposta foi de 35,3% com tratamento de patch de amendoim contra 13,6% com placebo (diferença, 21,7%). Já em outro estudo avaliando a alergia a amendoim também por meio do imunoterapia epicutânea (amendoim EPIT) através do adesivo Viaskin Peanut, indicou que o amendoim EPIT é potencialmente eficaz, com o aumento de 10 vezes ou mais na SCD (dose consumida com sucesso) de OFC (desafio alimentar oral), além do mais o efeito do tratamento foi mais evidente na faixa etária mais jovem. Um outro estudo avaliando a imunoterapia oral, uma outra alternativa de tratamento, observou que o leite aquecido apresentou taxa de IgE específico para o leite de caseína de 51,4 e 56 kUA/L, enquanto no leite não aquecido a taxa foi de 55,2 e 65,6 kUA/L; as taxas de sintomas moderados ou graves e sintomas respiratórios por dose domiciliar foram significativamente menores no leite aquecido do que no grupo não aquecido (0,7% e 1,2% vs 1,4% e 2,6%, respectivamente, P < 0,001). Além do mais, devido a ocorrência de anafilaxia devido à alergia ao amendoim há a necessidade de um marcador objetivo que pudesse refletir com precisão a probabilidade de ocorrência de reações alérgicas graves em pacientes, para ajudar a definir as indicações para a prescrição de um auto injetor de epinefrina, em um estudo foi identificado a reatividade basófila alérgeno-específica (medida por CD63 amendoim/anti-IgE) e a sensibilidade basófila (medida por CD-sens) como biomarcadores de gravidade e limiar de reações alérgicas ao amendoim. CONCLUSÃO: É possível afirmar que o manejo da anafilaxia em pacientes pediátricos envolve o tratamento por medidas sintomáticas, como o uso de auto injetora de epinefrina, e controle da exposição ao alérgeno. Foi relatado os benefícios da imunoterapia com alérgenos, que envolve a administração de um alérgeno específico para gerar proteção contra sintomas e reações anafiláticas em pacientes com alergia IgE mediada. As imunoterapias oral e cutânea receberam destaque, porém ainda se discute os possíveis efeitos adversos causados por essa terapia. Portanto, mais estudos são necessários para ser possível compreender completamente os riscos e os benefícios da imunoterapia em pacientes pediátricos para o manejo da anafilaxia.

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Published

2023-03-06

How to Cite

Santana , N. A. de A., Santana, A. A. de A., Gomes, J. M., de Sousa , I. Z., Ferreira, J. J., de Freitas, Y. B. B., Tessari, B. M., & Sá , I. de P. (2023). Manejo da anafilaxia em pacientes pediátricos: uma revisão sistemática de ensaios clínicos. STUDIES IN HEALTH SCIENCES, 4(1), 125–134. https://doi.org/10.54022/shsv4n1-013

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