Características materno-fetais relacionadas a hiperpigmentação em uma maternidade no sul do Brasil

Authors

  • Camila Tosin
  • Maria Gabriela Schneider
  • Raquel Bissacotti Steglich
  • Rodrigo Ribeiro e Silva
  • Julia Opolski Nunes da Silva
  • Luiza Andraus Dantas

DOI:

https://doi.org/10.54022/shsv4n4-007

Keywords:

melanose, hiperpigmentação, gestação, exposição solar, dermatologia

Abstract

Introdução: A hiperpigmentação epidérmica se manifesta devido a fatores genéticos, ambientais e hormonais, desenvolvendo-se em todas as faixas etárias e com etiologia patológica variada. Durante a gestação, observam-se alterações fisiológicas do organismo, bem como aparecimento ou exacerbação de dermatoses, que podem ser desencadeadas, principalmente, pelos fatores hormonais.1-5 Das principais melanoses, destacam-se o melasma, hiperpigmentação de axila e virilha ou, ainda, da linha alba.1, 3 Objetivo: Analisar os fatores de risco relacionados à Hiperpigmentação na gestação, em uma maternidade no município de Joinville, Santa Catarina. Métodos: Tratou-se de um estudo de caso controle, realizado em uma maternidade pública no Sul do Brasil, entre o período de junho a agosto de 2021 por meio de amostra randomizada composta de puérperas. Os fatores analisados foram: dados maternos, fetais, obstétricos, exposição solar, fotoproteção e alterações dermatológicas na gestação. Dividiu-se a população em 2 grupos: pacientes com e sem Hiperpigmentação. Os fatores de confusão adotados foram Alcoolismo, Tabagismo e Outras Drogas. No cálculo de razão de chance, usou-se o intervalo de confiança de 95%. Resultados: As pacientes foram divididas em puérperas com (n=345/78,5%) e sem Hiperpigmentação (n=94/21,4%). As características maternas diferiram quanto ao uso de anticoncepção hormonal, tabagismo, exposição solar, fotoproteção, hidratação, eritema palmar, alterações vasculares e estrias. Os recém-nascidos de mães com hiperpigmentação foram maiores para idade gestacional. A Hiperpigmentação iniciou no 1º trimestre em 18,3%, no 2º em 51,1% e no 3º em 30,6%. Acometeu principalmente linha alba (68,7%), mamilos (77,4%), axila (57,7%) e virilha (52,5%). Assim, 32,8% sentiram-se incomodadas, afetando a autoestima de 26,7% e o convívio social de 11,0%. Após o cálculo de razão de chance ajustado, a exposição solar aumentou a chance de Hiperpigmentação (RC=1,811 IC95% 1,124-2,918), bem como alterações vasculares (RC=2,388 IC95% 1,021-5,584) e Recém-nascido Grande para Idade Gestacional (GIG) (RC=2,332 IC95% 1,083-5,018). Conclusão: A exposição solar aumentou em 80% a chance de Hiperpigmentação, enquanto, as alterações vasculares e a presença de recém-nascidos GIG aumentaram em 2,3 vezes.

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Published

2023-11-03

How to Cite

Tosin, C., Schneider, M. G., Steglich, R. B., e Silva, R. R., da Silva, J. O. N., & Dantas, L. A. (2023). Características materno-fetais relacionadas a hiperpigmentação em uma maternidade no sul do Brasil. STUDIES IN HEALTH SCIENCES, 4(4), 1186–1204. https://doi.org/10.54022/shsv4n4-007