Banco de sementes em áreas de restauração florestal na Amazônia Oriental

Autores

  • Nisângela Severino Lopes Costa
  • Gustavo Schwartz
  • Jaqueline Macedo Gomes
  • Luiz Fernandes Silva Dionísio
  • Camila de Almeida Milhomem
  • Walmer Bruno Rocha Martins
  • Jurandir Pereira Filho

DOI:

https://doi.org/10.54033/cadpedv21n6-157

Palavras-chave:

Pastagens Abandonadas, Floresta Tropical, Áreas Degradadas, Resiliência

Resumo

A atividade pecuária se destaca no desmatamento, sendo causa de dois terços das terras desmatadas nos neotrópicos, sendo 80% na Amazônia brasileira. Destas áreas desmatadas, aproximadamente metade está degradada e uma parcela considerável abandonada e em terras públicas através da grilagem.O Brasil comprometeu-se no acordo de Paris por meio de sua contribuição nacional determinada em zerar o desmatamento ilegal na Amazônia, a reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, além de restaurar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2030 (COP- 21). Para tal, existem vários métodos e técnicas de restauração ecológica, as quais ampliam possibilidades para que os processos ecológicos recriem condições para o restabelecimento dos ecossistemas degradados. Nesse processo, independentemente do método utilizado, torna-se necessária a execução de monitoramentos periódicos para avaliação de indicadores que demonstrem o desenvolvimento da restauração.  Dentre os indicadores vegetativos, a regeneração natural é muito utilizada, porque expressa a resiliência do ecossistema em restauração. Entretanto, outros indicadores de vegetação podem ser utilizados, como: banco de sementes, chuva de sementes e produção de serrapilheira. O banco de sementes do solo é imprescindível no planejamento de projetos de restauração florestal, pois ele representa o estoque de sementes viáveis no solo, apresentando uma grande densidade de indivíduos e riqueza de espécies. No entanto, sua eficiência está ligada ao histórico de uso, uma vez que áreas em que a vegetação foi suprimida e manejada com diferentes usos por longos períodos, como agricultura ou pastagem, não devem apresentar mais, elevado potencial de riqueza e diversidade de espécies. Diante disso, o objetivo deste estudo foi avaliar qual o método de restauração florestal apresenta melhores parâmetros fitossociológicos para banco de sementes em áreas de pastagens abandonadas na Amazônia Oriental. Nas três áreas analisadas houve dominância em espécies e indivíduos   herbáceos e a maioria pertencentes à família cyperaceae, indicando estarem em estágio inicial de sucessão. Considerando a relação custo-benefício, o método utilizando a restauração passiva foi o mais eficiente, pois mesmo não tendo custos referentes ao plantio de mudas e tratos culturais, mostrou resultados superiores para diversidade do banco de sementes.

Referências

ANDRADE, D. F. et al Inventário florestal de grandes áreas na Floresta Nacional do Tapajós, Pará, Amazônia, Brasil. Biota Amazônia, Macapá, v. 5, n. 1, p. 109-115, 2015.

ANGIOSPERM PHYLOGENY GROUP IV. An update of the Angiosperm Phylogeny Groupclassification for the orders and families of flowering plants: APG IV. Botanical Journal of the Linnean Society, London, v. 181, n. 1, 2016.

ARÊAS, E. M. J.; ARÊAS, P. M. J.; CAMPELLO, E. F. C.; RESENDE, A. S.D.E.Banco de sementes do solo após 25 anos do plantio deleguminosasarbóreas em área de empréstimo-Seropédica, RJ. CiênciasFlorestais, v.2, n.32, 2022.

BRAGA et al. Composição do banco de sementes de uma floresta semidecidual secundária considerando o seu potencial de uso para recuperação ambiental. Revista Árvore, Viçosa-MG, v.32, n.6, 2008.

BRANCALION, P. H. S. et al. Avaliação e monitoramento de áreas em processo de restauração. In Restauração Ecológica de Ecossistemas Degradados. Viçosa: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, 2013.

CALEGARI, L. et al. Avaliação do banco de sementes do solo para fins de restauração florestal em Carandaí, MG. Revista Árvore, Viçosa-MG, v.37, n.5, 2013.

CHAMI, L. B et al. Mecanismos de regeneração natural em diferentes

ambientes de remanescente de Floresta Ombrófila Mista, São Francisco de Paula, RS. Ciência Rural, Santa Maria, v. 41, n. 2, 2011.

CONDÉ, T. M; TONINI, H. Fitossociologia de uma Floresta Ombrófila Densa na Amazônia Setentrional, Roraima, Brasil. Acta Amazonica, Manaus , v. 43, n. 3, 2013.

CORREIA, G. G.S.; MARTINS, S.V. Banco de Sementes do Solo de Floresta Restaurada, Reserva Natural Vale, ES. Floresta e Ambiente, v.22, n.1, 2015.

DIAS-FILHO, M. B.; ANDRADE, C. M. S. Pastagens no trópico úmido. Belém, PA: Embrapa Amazônia Oriental, 2006.

Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática.Disponível em: https://nacoesunidas.org/cop21/. Acesso em: 29 maio 2020.

FALESI, I.C et al. Sistema Silvipastoril Sustentável com ovinos em pastejo rotacionado intensivo. Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém, PA, 2012.

FAPESPA. Mapa mesorregiões do Pará. [Belém, PA: FAPESPA, 2019]. http://www.fapespa.pa.gov.br/sistemas/anuario2017/mapas/territorio/ter3_mesorregioes _paraenses.png.

FILHO, N. L et al. Variações espaço-temporais no estoque de sementes do solo na floresta amazônica. Acta Amazônica, n.43, v. 3, 2013.

GERVAZIO, W et al. Banco de Sementes de Plantas Espontâneas em Quintais Agroflorestais Urbanos Amazônicos em Alta Floresta, MT. Cadernos de Agroecologia, v.9, n. 4, 2014.

GUIMARÃES, S. et al. Banco de sementes de áreas em restauração florestal em Aimorés, MG. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo, v. 34, n. 80, p. 357- 368, 2014.

HOLL, K. D. Restoring Tropical Forest. Nature Education, Knowledge, v.4, n. 4, 2013.

IBGE. Manual técnico da vegetação brasileira. Rio de Janeiro: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2012. 271 p.

IPAM. Gado em área de desmatamento na Amazônia. 2021. Disponível em :https://ipam.org.br/pastagem-ocupa-75-da-area-desmatada-em-terras-publicas-naamazonia.

LERNER, A. M. et al. The spontaneous emergence of silvo-pastoral landscapes in the Ecuadorian Amazon: patterns and processes. Regional Environmental Change, v.15, 2015.

LOPES, M. S. Interpretação dos Índices de Diversidade de Espécies Obtidos em Levantamento Fitossociológico – Parte 1.Mata Nativa. Disponível em: https://matanativa.com.br/interpretacao-dos-indices-de-diversidade-de-especies-obtidos-em-levantamento-fitossociologico/. Acesso em: 19 março de 2023.

MACHADO, V.M. et al. Avaliação do banco de sementes de uma área em processo de recuperação em cerrado campestre. Planta Daninha, Viçosa, v. 31, n.2, 2013.

MARTINS, S. V. Recuperação de áreas degradadas: ações em áreas de preservação permanente, voçorocas, taludes rodoviários e de mineração. Viçosa, MG: Editora Centro de Produções Técnicas, 2009. 270 p.

MARTINS, Sebastião V. Restauração ecológica de Ecossistemas Degradados. 2. ed.Viçosa: Editora UFV, 2015.

MARTINS, W. B. R et al. Deposição de serapilheira e nutrientes em áreas de mineração submetidas a métodos de restauração florestal em Paragominas, Pará. Floresta, Curitiba, PR, v. 48, n. 1, 2018.

MORESSI, M ; PADOVAN, M. P; PEREIRA, Z. V. Banco de sementes como indicador de restauração em sistemas agroflorestais multiestratificados no sudoeste de Mato Grosso do Sul, Brasil. Revista Árvore, Viçosa-MG, v.38, n.6, 2014.

NÓBREGA, A. M. F. et al. Banco de sementes de remanescentes naturais e de áreas reflorestadas em uma várzea do rio Mogi-Guaçu. Revista Árvore, v. 33, n. 3, 2009.

OLIVEIRA, R. E; ENGEL, V.L. A restauração florestal na Mata Atlântica: três décadas em revisão. Revista Ciência, Tecnologia e Ambiente, v. 5, n.1, 2017.

PIAIA, B. B et al. Avaliação de indicadores ecológicos na restauração por plantio em núcleo com diferentes idades. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 31, n. 3, 2021.

QUINTÃO, J. M. B. et al. Mudanças do uso e cobertura da terra no Brasil, emissões de GEE e políticas em curso. Ciência e Cultura, v. 73, n. 1, 2021.

RAYOL, B. P; ALVINO-RAYOL, F. DE O. chuva e banco de sementes no solo em agroecossistemas do baixo amazonas, Pará. Agrarian Academy, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.5, n.10, 2018.

RONDON NETO, R. M; SILVA, D. F. Banco de sementes de um remanescente florestal e duas áreas de pastagem de diferentes idades, em Alta Floresta/MT. Revista Brasileira de Ciências Agrárias, v. 6, n.1, 2011.

SILVA, S. P.; FERREIRA, E. J. L.; SANTOS, L. R. Fitossociologia e diversidade em fragmentos florestais com diferentes históricos de intervenção na Amazônia Ocidental. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 31, n. 1, 2021.

FLORA do Brasil. Rio de Janeiro: Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2022.Disponívelem:http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/listaBrasil/ConsultaPublicaUC/ConsultaPublicaUC. do#CondicaoTaxonCP. Acesso em: 10 março 2022.

SCHORN, L. A. et al. Composição do banco de sementes no solo em áreas de preservação permanente sob diferentes tipos de cobertura. Floresta, Curitiba, PR, v. 43, n. 1, 2013.

SILVA, W. A. S. et al Composição e diversidade florística em um trecho de floresta de terra firme no sudoeste do estado do Amapá, Amazônia Oriental, Brasil. Biota Amazônia, Macapá, v. 4, n. 3, 2014.

Downloads

Publicado

2024-06-18

Como Citar

Costa, N. S. L., Schwartz, G., Gomes, J. M., Dionísio, L. F. S., Milhomem, C. de A., Martins, W. B. R., & Pereira Filho, J. (2024). Banco de sementes em áreas de restauração florestal na Amazônia Oriental. Caderno Pedagógico, 21(6), e4989. https://doi.org/10.54033/cadpedv21n6-157

Edição

Seção

Artigos