Um balanço empírico e político da economia solidária no Brasil entre 2003 e 2016

Authors

  • André Ricardo de Souza
  • Fábio José Bechara Sanchez

DOI:

https://doi.org/10.54033/cadpedv21n5-213

Keywords:

Economia Solidária, Cooperativismo, Autogestão, SENAES, Políticas Públicas

Abstract

O conjunto de empreendimentos e coletivos econômicos guiados, ao menos idealmente, por princípios autogestionários vem sendo chamado no Brasil de economia solidária desde meados da década de 1990. Surgiu como proposta de resgate das práticas e princípios do cooperativismo e como uma forma de reação ao então desemprego massivo. As experiências de economia solidária envolvem atividades de produção, serviços, comércio, consumo, crédito e poupança, abrangendo: cooperativas; fábricas recuperadas por seus trabalhadores organizados em autogestão; coletivos produtivos autogestionários; pequenos empreendimentos comunitários; bancos comunitários que utilizam moedas sociais; entre outras. Hoje estas experiências compõem um vigoroso campo social e se organizam em um atuante movimento social. Tal movimento é composto por inúmeros trabalhadores/as que se organizam em coletivos económicos solidários, por representantes de diversos movimentos sociais e por entidades sindicais, eclesiais e universitárias. A articulação destes múltiplos e diversos sujeitos propiciou a criação, em 2003, da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES). Desde o ano seguinte, a economia brasileira foi tendo crescimento, embora de modo instável, fazendo chamar a atenção a permanecência de pessoas nesses empreendimentos associativos, mesmo em contextos de ampliação da oferta de empregos. Em 2016 a experiência da SENAES se encerra, a partir do afastamento da presidenta Dilma. Nosso objetivo é focar na realidade da economia solidária no Brasil nestes 13 anos de existência da SENAES. A partir dos dados oficiais disponíveis e também de outros resultados investigativos, este trabalho esboça um balanço deste primeiro período de atividade da SENAES, do universo empírico da economia solidária e sua relação com as políticas públicas federais.

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Published

2024-05-29

How to Cite

Souza, A. R. de, & Sanchez, F. J. B. (2024). Um balanço empírico e político da economia solidária no Brasil entre 2003 e 2016. Caderno Pedagógico, 21(5), e4571. https://doi.org/10.54033/cadpedv21n5-213

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