Autopercepção de saúde e doenças e agravos não transmissíveis em trabalhadores em turnos fixos

Authors

  • Ronne Souza
  • Rafael Inácio Netto
  • Isabelle Helena Rodrigues Bertuol
  • Silvana Glicéria Firmino
  • Thiago Soares Pimenta
  • Moisés Fernandes Lemos
  • Graciele Cristina Silva Leão
  • Roselma Lucchese

DOI:

https://doi.org/10.54033/cadpedv21n5-151

Keywords:

Trabalho em Turnos, Doenças não Transmissíveis, Saúde do Trabalhador, Sono

Abstract

A sociedade contemporânea está ininterruptamente dependente da globalização econômica e imersa em jornadas de trabalho de 24 horas, devido à necessidade laboral. Alterações no padrão de sono favorecem o adoecimento biopsicossocial e consequente agravamento de doenças crônicas não transmissíveis entre os trabalhadores em turnos. Pouco se sabe sobre qual turno de trabalho atípico está mais propenso ao desenvolvimento destas doenças. Realizou-se estudo transversal seccional investigou a autopercepção de saúde e a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis em trabalhadores em quatro turnos fixos (matutino, diurno, vespertino e noturno), sendo 1.215 trabalhadores de uma empresa agroindústria de processamento avícola localizada na região Central do Brasil. A coleta de dados foi por meio de instrumento semiestruturado com informações sociodemográficas, hábitos de vida e condições de saúde e coletou-se medidas antropométricas (peso, altura, cálculo do Índice de Massa Corporal – IMC e circunferência abdominal). Observou-se alteração da circunferência abdominal em todos os turnos, e, apesar da alta prevalência de indivíduos eutróficos, houve um percentual significativo com sobrepeso e obesidade. A autopercepção de saúde divergiu do estado nutricional, revelando desconexão entre a percepção subjetiva e a realidade objetiva da saúde dos entrevistados. Na investigação sobre doenças crônicas e o uso de medicação destacou uma baixa proporção de relatos de condições crônicas, com discrepâncias entre aqueles que possuíam a doença e os que realizavam farmacoterapia. Os resultados evidenciaram diversas vulnerabilidades dos trabalhadores quanto à percepção de saúde, estado nutricional, corroborando a necessidade de intervenções visando reverter e prevenir doenças e agravos não transmissíveis considerando que são adultos jovens.

References

ANDRADE, Fabiana Martins Dias de; MACHADO, Ísis Eloah; BARBOSA, Jaqueline Almeida Guimarães. Prevalência de doenças não transmissíveis e fatores de risco em industriários de Minas Gerais. Avances en Enfermería, v. 40, n. 2, p. 199-213, 2022.

ANDRADE, Rubian Diego et al. Absenteísmo na Indústria está Associado com o Trabalho em Turnos e com Problemas no Sono. Ciencia & trabajo, v. 19, n. 58, p. 35- 41, 2017.

ANTUNES, José. Trabalho por turnos: efeitos na saúde. Psicologia, Saúde & Doenças, v. 22, n. 2, p. 397-410, 2021.

Brasil. Organização Mundial da Saúde. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID-10, 1993.

CARVALHO, AI de. Determinantes sociais, econômicos e ambientais da saúde. Fundação Oswaldo Cruz. A saúde no Brasil em, v. 2030, p. 19-38, 2013.

Ceïde, M.E. et al. Associations of short sleep and shift work status with hypertension among black and white americans. International Journal of Hypertension, 2015

COLLADO LLEDÓ, Aroa. Impacto del trabajo a turnos en el personal sanitario catalán. Un estudio de incidencia sobre el sueño y la autopercepción psicosocial. 2022.

DA-SILVA, Cícero Adilson Coelho et al. Associação de dislipidemia, hipertensão e sobrepeso/obesidade com o turno de trabalho e tempo de serviço de policiais numa cidade de pequeno porte no Nordeste brasileiro. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, v. 17, n. 4, p. 537-544, 2019.

DE JESUS, Sandra Rêgo; AGUIAR, Hellen Jasmyn Ramos. Autopercepção positiva de saúde entre idosos na região Nordeste do Brasil Positive self-perceived health among the elderly in the Northeast Brazil. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 5, p. 20025-20041, 2021.

DOMINGUES, Jaqueline Gonçalves et al. Prevalência de doenças crônicas não transmissíveis em profissionais de enfermagem hospitalar no sul do Brasil. 2017.

DONATO, Tamyres Araújo Andrade et al. Exame ocupacional periódico: oportunidade de diagnóstico e monitoramento de doença crônica não transmissível em homens. Cadernos de Saúde Pública, v. 37, p. e00298320, 2021.

FONSECA, Nathália Teixeira. Tempo sentado e fatores associados em trabalhadores de uma cidade do interior da Bahia. 2021.

GRILLO, Luciane Peter et al. Fatores de risco e proteção para o desenvolvimento de doenças crónicas em profissionais de enfermagem. Revista de Enfermagem Referência, v. 4, n. 18, p. 63-71, 2018.

HYEDA, Adriano et al. A relação entre o suporte organizacional no trabalho e o risco para doenças crônicas não transmissíveis em um serviço de saúde. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, v. 15, n. 2, p. 134-141, 2017.

INSTITUTE FOR HEALTH METRICS AND EVALUATION (IHME). GBD Compare, Viz Hub. Institute for Health Metrics and Evaluation. 2019.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2013: percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. Rio de Janeiro: IBGE; 2015.

JOHNSEN, MT, WYNN, R, BRATLID, T. Optimal sleep duration in the subarctic with respect to obesity risk is 8-9 hours. PLoS One, 2013.

KERVEZEE, Laura; KOSMADOPOULOS, Anastasi; BOIVIN, Diane B. Metabolic and cardiovascular consequences of shift work: The role of circadian disruption and sleep disturbances. European Journal of Neuroscience, v. 51, n. 1, p. 396-412, 2020.

LESSA, Ruan Teixeira et al. A privação do sono e suas implicações na saúde humana: uma revisão sistemática da literatura. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 56, p. e3846-e3846, 2020.

LOHMAN, T. G.; ROCHE, A. F.; MARTORELL, R. Anthropometric standardization reference manual. Champaign, Illinois, Human Kínetics, Inc, 1988.

MACHADO, Luciana Souza de Freitas et al. Agravos à saúde referidos pelos trabalhadores de enfermagem em um hospital público da Bahia. Revista brasileira de enfermagem, v. 67, p. 684-691, 2014.

McMENAMIN, T. A time to work: recent trends in shift work and flexible schedules. Shift work and Flexible Schedules. Monthly Labor Review, 2007.

MIRANDA, Gabriella Morais Duarte; MENDES, Antonio da Cruz Gouveia; SILVA, Ana Lucia Andrade da. O envelhecimento populacional brasileiro: desafios e consequências sociais atuais e futuras. Revista brasileira de geriatria e gerontologia, v. 19, p. 507-519, 2016.

MIRANDA, Ingridy Priscila Veloso; PASSOS, Marco Aurélio Ninomia. Sono: fator de risco para a qualidade de vida do profissional de saúde. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 3, n. 7, p. 336-346, 2020.

NIESSEN, L. W. et al. Tackling socioeconomic inequalities and non-communicable diseases in low-income and middle-income countries under the Sustainable Development agenda. The Lancet. 2018;391(10134):2036-2046. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)30482-3

RESENDE, S. G. et al. Consumo de medicamentos, padrão de sono e estado nutricional em trabalhadores em turnos. In: Abstracts of XV Brazilian Sleep Congress/Sleep Science. 2015. p. 169-255.

RIVERA, Adovich S. et al. Shift work and long work hours and their association with chronic health conditions: A systematic review of systematic reviews with meta-analyses. PloS one, v. 15, n. 4, p. e0231037, 2020.

SALLINEN, Janne et al. Hand‐Grip Strength Cut Points to Screen Older Persons at Risk for Mobility Limitation. Journal of the American Geriatrics Society, v. 58, n. 9, p. 1721-1726, 2010.

SILVA, G. C. et al. Associação entre consumo alimentar, horários atípicos de trabalho e padrão de sono: um estudo com trabalhadores em turnos fixos. 2017.

SILVA, Roberto Allan Ribeiro; SAKON, Poliane Osmira Rodrigues. Autopercepção do estado de saúde de hipertensos. Rev. enferm. UFPE on line, p. 1826-1834, 2018.

SIMÕES, Naiane Dias et al. Qualidade e duração de sono entre usuários da rede pública de saúde. Acta Paulista de Enfermagem, v. 32, p. 530-537, 2019.

SLEEPFOUNDATION. National Sleep Foundation. 2016

TORQUATI, Luciana et al. Shift work and the risk of cardiovascular disease. A systematic review and meta-analysis including dose–response relationship. Scandinavian journal of work, environment & health, v. 44, n. 3, p. 229-238, 2018.

UNICEF et al. Cenário da Exclusão Escolar no Brasil: Um alerta sobre os impactos da pandemia da COVID-19 na Educação. São Paulo: CENPEC/UNICEF, v. 14, n. 7, p. 21, 2021.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Noncommunicable diseases progress monitor 2020. Geneva: WHO; 2020.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Geneva: World Health Organization; 2000.

Published

2024-05-20

How to Cite

Souza, R., Inácio Netto , R., Bertuol , I. H. R., Firmino, S. G., Pimenta, T. S., Lemos, M. F., Leão, G. C. S., & Lucchese, R. (2024). Autopercepção de saúde e doenças e agravos não transmissíveis em trabalhadores em turnos fixos. Caderno Pedagógico, 21(5), e4383. https://doi.org/10.54033/cadpedv21n5-151

Issue

Section

Articles